quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

ELEONORA, de Edgar Allan Poe

Venho de uma raça notória por sua imaginação vigorosa e ardente temperamento passional. Muitos já me tomaram por louco; mas a questão permanece sem resposta, se a loucura representa ou não uma inteligência superior - se muito do que é glorioso, se tudo o que é profundo não advém de uma doença do pensamento, de temperamentos mentais exaltados em detrimento do intelecto comum. Àqueles que sonham de dia, é dado a conhecer muito do que escapa aos que sonham apenas à noite. Em suas visões cinzentas, obtêm vislumbres da eternidade e, despertando, vibram ao descobrir que estiveram no limiar de um grande segredo. Aos poucos, aprendem algo da sabedoria, o que é bom, e mais do mero conhecimento, o que é ruim. Penetram, contudo, sem leme e sem bússola, no vasto oceano de "luz inefável" e, como nas aventuras do geógrafo Núbio, agressi sunt mare tenebrarum, quid in eo esset exploraturi¹. 

1- (Rumaram para o mar da escuridão para que pudesse ser explorado)

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Henry Ward Beecher

A morte é a queda da flor, para que o fruto possa avolumar-se.